11/11/2009

Menina com vida de Bukowski

Stella – do filme de mesmo nome – é uma garota de 11 anos, que vive em cima do bar dos pais. Na nova escola – de burgueses -, para onde foi transferida, ela não vai bem e tampouco faz amigos. Não sabe a gramática francesa, nem fazer contas de matemática, mas sabe quais são os melhores jogadores de futebol, como se faz sexo, de onde vem os bebês, e jogar cartas melhor do que qualquer um de sua turma. Stella pode parecer uma vítima do retrógrado sistema de educação francês, mas ela não é uma vítima. Nem precisa de salvação. Sabe se defender sozinha. Cospe na cara de um idiota que tenta roubar a sua bola e enfia a cabeça de uma patricinha em uma quina. A garota vive uma verdadeira vida de Bukowski – um dos melhores escritores americanos do século XX – na França.

Sem dúvida, um dos melhores filmes já feitos do ponto de vista de uma criança. Inocente, como a maioria, mas vivida, como poucas. Léora Barbara, a garota que faz Stella, é incrível. Sua interpretação tem graça. Às vezes é tímida e calada, mas consegue ser forte e doce ao mesmo tempo. A menina narra com naturalidade as suas viagens de verão para a cidade da avó, onde há apenas “um hospital psiquiátrico, um hospício e uma prisão” e alguns dos moradores “já fizeram o circuito completo”. A passagem da infância para a adolescência é mostrada de forma muito bela.

Guillaume Depardieu, o falecido filho de Gerard Depardieu, brilha como o líder de uma gangue e um dos freqüentadores do bar da família, por quem Stella vive um amor platônico. Os pais da menina (Karole Rocher e Benjamin Biolay) também são sensacionais. Bonitões e populares na vizinhança, estão mais preocupados se a filha consegue sair bem das brigas do que com as suas notas. A diretora Sylvie Verheyde consegue colocar tudo isso na tela com um realismo impressionante. Um dos melhores filmes franceses dos últimos tempos.

10/11/2009

Grizzly Bear - Ready, Able

Depois de “Two Weeks”, era difícil imaginar que o Grizzly Bear conseguiria fazer um vídeo clipe mais bizarro. Mas... eles conseguiram. Lindo como a música que o acompanha, “Ready, Able”, este este stop-motion feito com massinha por Allison Schulnik é um pouco perturbador. Talvez pau a pau com o clipe de “Knife”, igualmente psicodélico e bucólico. De qualquer maneira, uma obra de arte.




09/11/2009

Pastelão francês forçado, mas engraçado

Especial Mostra de Cinema de São Paulo

Depois de passar um dia inteiro tentando fazer sexo com a sua mulher (que primeiro quer tomar café, ler um livro, filosofar sobre o livro), Jean-Jacques fica extremamente desapontado e conta para a esposa sobre uma moça que conheceu. A mulher fica completamente paranóica e acha que o marido precisa dormir com essa outra para sua felicidade ser completa. O problema é que Jean-Jacques mal conhece essa outra e realmente não tem nenhum interesse nela. Assim começa Faça-Me Feliz, filme francês em destaque na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O que parece mais um drama conjugal, que só os franceses e as suas filosofias deprimentes conseguem produzir, é na verdade uma grande comédia pastelão. A mulher que Jean-Jacques vai procurar “para satisfazer suas necessidades” é filha do presidente da França. A partir daí, o homem consegue entrar em uma situação mais embaraçosa do que a outra: conhece o presidente com um bigode pintado na cara, prende o zíper da calça em uma cortina durante uma festa e assim por diante.

Emmanuel Mouret, diretor, roteirista e ator interpretando Jean-Jacques, é um comediante clássico, ao melhor estilo Mr. Bean, Chaves, Roberto Benigni ou Chaplin. Sua cara de panaca lembra um pouco a de Steve Buscemi. Porém, o que é muito bom no começo acaba se tornando um pouco forçado e repetitivo lá pelo meio do filme. Mouret ainda tem que aperfeiçoar o que faz. Mas isso não impede Faça-Me Feliz de ser um ótimo e engraçadíssimo filme.

07/11/2009

Encarnação dos demônios

Quando um diretor diz que fez um filme para se curar da depressão fico com um pé atrás. Afinal, para que aquilo foi lançado? Se foi feito apenas como forma de terapia por que não guardar somente para você? Lars Von Trier resolveu compartilhar com o mundo o seu Anticristo e causou polêmica desde o lançamento do longa no festival de Cannes. Aparentemente pessoas saíram correndo da sala enojadas e vomitando por causa do conteúdo pesado – (a essa altura do campeonato, acredito que não há spoiler aqui, pois isso já foi falado em vários veículos), mas há cenas bem gráficas de mutilação de órgãos genitais (fim do spoiler). Todo mundo detonou o longa, alegando que não fazia sentido e que era auto-indulgente.

Mas Anticristo não é ruim. Lars Von Trier é um diretor que gosta de polemizar de formas pouco sutis. Faz crítica (bastante panfletária) aos Estados Unidos, em Dogville e Manderlay – nos quais brinca com o imaginário e não coloca cenário, mas apenas marcas no chão para demarcar lugares -, é acusado de misógino por colocar as mulheres de seus filmes em posições nada agradáveis, e é aclamado como um dos maiores diretores da atualidade.

A história começa com um casal (Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe) fazendo sexo – com closes que poucos pornôs se atrevem a fazer - em seu apartamento. Enquanto isso, o filho pequeno se distraí com alguns flocos de neve que caem lá fora e caí da janela. Acredito (ou gostaria de acreditar) que isso não é uma tentativa do diretor de dizer que fazer sexo vai matar o seu bebê. Depois disso, os pais entram em depressão profunda – a mãe em especial – e vão passar um tempo em uma cabana no meio da floresta. Vale dizer que este não é um terror convencional, mas um terror de Lars Von Trier, ou seja, um terror “de arte”. O roteiro é fraco, mas o clima criado pelo diretor é sensacional. Há símbolos (quase todos bíblicos) em muitas cenas e mesmo sem ser algo de arrepiar, deixa o espectador tenso.

Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe encarnam os próprios demônios. Gainsbourg, em especial, faz de seu próprio corpo um meio de exorcismo e é a verdadeira força do filme. O título faz alusão ao livro de mesmo nome de Nietzsche, que coloca como epígrafe, “uma obra para espíritos livres, pois só estes a entenderão”. O que talvez seja um pouco pretensioso do (já pretensioso) Lars Von Trier.

05/11/2009

Melhores da década da Paste

Bem interessante essa lista da Paste, com os seus 50 melhores filmes da década. Há algumas semelhanças com a minha própria lista, publicada aqui recentemente. Sete filmes que estavam entre os meus dez primeiros também caíram nas graças deles. Cidade de Deus, quarto no meu ranking, é o primeiro lugar no deles. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, primeiro lugar no meu, é o quinto no deles. Pequena Miss Sunshine, que, para mim, foi o terceiro melhor da década, ficou um pouco mais atrás na lista da Paste, em 34°. E Juno, quinto na minha relação, foi o 15° para eles. Apenas Uma Vez (meu 6°) também entrou no ranking deles (30°). Já Encontros e Desencontros ficou na mesma posição nas duas listas (7° lugar). E O Labirinto do Fauno, 9° para mim, foi o 25° deles. Curiosamente, outro filme ficou quase na mesma posição: Half Nelson (15° no Acento Negativo e 16° na Paste). Outros filmes em comum entre as duas listas são Amélie, Amnésia, Cidade dos Sonhos e Sangue Negro. O resto do ranking deles é muito bom, com filmes excelentes, como Ghost Dog, A Lula e a Baleia, Up e Quase Famosos. Para ver a lista completa, clique aqui. Ah, e – assim como eles - logo publicarei a minha lista de melhores discos da década.

04/11/2009

Michael ainda em forma

Quando eu tinha apenas nove anos, Michael Jackson veio pela primeira vez solo ao Brasil para fazer duas apresentações no estádio do Morumbi. Isso era outubro de 1993. Lembro da conturbada passagem do cantor por aqui, quando atropelou um garoto na saída de uma fábrica de brinquedos – e depois foi visitá-lo no hospital -, com clareza. Gravei o show na tevê e o filme Moonwalker (duas vezes na mesma fita), que passava no SBT direto. Depois passei meses – ou anos – reproduzindo junto com os amigos os passos do Michael enquanto assistia à gravação em VHS.

A música preferida era – claro – “Smooth Criminal”, com seu clipe genial e coreografia inesquecível. Fazíamos tudo com perfeição, exceto a parte que sem tirar os pés do chão, ele se inclina em um ângulo de 75 graus para a frente. Toda vez que tentávamos era certeza de enfiar a testa em algum móvel ou parar pelo meio do caminho. Todas essas lembranças voltaram à tona quando assisti ao novo filme sobre Michael Jackson, This Is It, colagem de trechos dos ensaios para aquele que seriam os seus últimos shows – mas que não aconteceram por causa de sua morte.

Michael, por incrível que pareça, ainda estava em plena forma. Dança, canta, se joga no chão, brinca como se fosse uma criança, dá ordens, pede desculpas e faz a experiência dos que estão ali, convivendo com essa lenda, não parecer tão estranha para o espectador. Afinal, é uma experiência estranha, pois não é todo dia que se vê um sujeito tipo o MJ na rua.

O filme também é muito bom. Dirigido por Kenny Ortega, que também estava dirigindo o show da turnê This Is It, o longa não conta a história de MJ ou coisa parecida. É totalmente focado nos ensaios para esse evento. E que evento. Nenhum artista na história tem tantos hits como Michael Jackson. “Beat It”, “Billie Jean”, “I´ll Be There”, “Thriller” são canções que qualquer cidadão deste planeta conhece. Nenhum outro artista chega a se comparar com ele neste quesito. O sujeito também gostava de uma grandeza. O show do cara parece o do Cirque du Soleil. Neguinho fazendo pirotecnias, contorcionismo e tudo o mais.

This Is It é um belo registro daquilo que nunca foi. O maior artista de nossos tempos em seu ato final. Creio que se um dia tive coragem de montar uma banda e subir em um palco para cantar, o Michael com certeza influenciou. MJ tinha esse poder. Mobilizar a todos com sua música.

03/11/2009

Impressões da mostra

Por muito pouco não desisto de ir à Mostra Internacional de São Paulo para antecipar o meu fim-de-semana/feriado na praia. Com o sol que estava fazendo no estado, era um verdadeiro insulto ficar enfurnado dentro de uma sala de cinema. Porém, a vontade de ver alguns filmes da mostra era grande e a previsão para os dias seguintes era de tempo ensolarado – o que significava que mesmo passando o sábado no cinema, ainda teria o domingo e a segunda para desfrutar da praia.

Fui com alguns amigos para o Espaço Unibanco da Augusta, onde veríamos o primeiro filme do dia, o francês Faça-me Feliz. Nosso plano de começar bem a tarde com o Coffin Rock – filme cuja sinopse falava sobre bebedeira e psicopata - foi por água abaixo por não chegarmos a tempo. Mas Faça-me Feliz valeu a pena. Esperávamos um longa com aquelas filosofias francesas manjadas e chatas envolvendo tramas conjugais (sinopse: mulher está convencida que o marido está interessado em outra e pede para que ele tenha um caso com essa outra, na esperança de salvar o seu casamento), mas o que vimos foi uma bela comédia pastelão, cuja resenha entra no blog durante esta semana.

Depois de bebericar alguma coisa, resolvemos assistir ao Solo, filme dirigido por Ugo Giorgetti (Boleiros, O Príncipe), na esperança de dar mais algumas risadas. Quando lemos que seria uma hora e dez minutos de Antonio Abujamra contracenando com mais ninguém – apenas ele e a câmera -, interpretando um velho “de boa família”, segundo o próprio, que vive em um apartamento em Higienópolis – bairro paulistano que abriga figuras ímpares do imaginário nacional, como FHC e Ronaldo Fenômeno -, imaginamos que nos divertiríamos. De fato era divertido, mas não tanto quanto o esperado. O texto de Giorgetti é ótimo, mas às vezes é um humor intelectualóide demais.

Para finalizar – depois de bebericar mais um pouco – fomos ver o Todos Com Quem Dormi, filme bastante peculiar sobre uma mulher que adora sexo e de repente se vê grávida. Para descobrir quem é o pai da criança, busca os seus cartões com fotos e apelidos dos caras com quem trepa. O filme é um pouco bobo, mas diverte. Fez valer o dia de praia perdido – mas recuperado logo depois. E ao longo desta semana vou publicando as resenhas.

30/10/2009

Indo para a mostra...

Como bom cinéfilo, estarei indo para São Paulo neste fim-de-semana para conferir alguns filmes da 33ª Mostra Internacional de Cinema. Depois sigo curtindo o feriado e quando a semana voltar ao normal posto aqui no blog as impressões sobre o que vi na mostra. Bom feriado e bom finados a todos, com muito sol!

29/10/2009

Quase como um casal normal

O título em português, Te Amarei Para Sempre, é um pouco vago e fica meio longe da idéia original, The Time Traveler´s Wife – algo como A Esposa do Viajante do Tempo. O grande diferencial desta história romântica é justamente o fato de acrescentar esse elemento surreal – as viagens no tempo do protagonista -, algo que a tradução deixou de fora.

Sem poder controlar quando vai embora, Henry (Eric Bana) passa tempos longe de sua amada, Clare (Rachel McAdams), o que causa os problemas entre o casal. Do nada o cara desaparece e depois aparece peladão em algum lugar aleatório (geralmente na propriedade da família de Clare, quando esta ainda era menina). De certo modo, a história dos dois pode ser comparada com a de um casal normal, no qual o marido vai embora por alguns dias e quando volta acaba causando um atrito no relacionamento.

A atuação do casal protagonista é um dos pontos altos. Eric Bana (Hulk, Munique) mostra que tem talento para o drama. Rachel McAdams, depois de fazer a metidinha Regina George, no genial Meninas Malvadas, parece ter encontrado a sua verdadeira vocação nos romances. Em 2004, fez o meloso Diário de Uma Paixão e agora faz outro filme do gênero.

Baseado em um livro de Audrey Niffenegger, o roteiro de Bruce Joel Rubin (autor de Ghost) às vezes é confuso e não faz sentido. Porém, o que realmente importa aqui é a história de amor entre o casal e isso acaba cobrindo qualquer falha do roteiro. A boa direção de Robert Schwentke também ajuda a criar o clima adocicado e a história bonita de Te Amarei Para Sempre.

27/10/2009

Girls - Lust for Life versão 2

(NSFW) Para quem ainda não conhece a banda Girls – talvez a mais difícil de encontrar no Google, empatada com o Women -, este clipe é um bom começo. A segunda versão desta deliciosa canção chamada “Lust for Life”. E o título é levado ao pé da letra. Enquanto na primeira versão, a mina na banheira tampava os peitos com as mãos e os rapazes na cama estavam apenas de cueca, aqui não há pudores. A garota não cobre mais nada e os caras não só mostram tudo, como um deles usa o pau do outro como microfone. Clássico. Bom, mas o que esperar de uma música com a letra I wish I had a boyfriend, I wish I had a loving man in my life. I wish I had a father and maybe then I would´ve turned out right, but now I´m just crazy, I´m totally mad. Yeah, I´m just crazy, I´m fucked in the head. Traduza você mesmo. Ah, e o aviso de NOT SAFE FOR WORK foi dado no início do post.



DVD: Max Payne

Filmes baseados em jogos de video-game estão sempre destinados ao fracasso. O único do gênero que eu lembro de ter gostado foi Mortal Kombat, mas devemos levar em consideração que o filme foi lançado em 1995, quando eu era uma criança de 10 anos e não tinha critérios muitos rigorosos – era apenas um jogo que eu curtia e achava emocionante ver o Sub-Zero em carne e osso. Max Payne (2008) não foge à regra dos longas meia-boca inspirado por um joguinho de Playstation. Mark Wahlberg interpreta o personagem título, que depois de ter a mulher e a filha assassinadas por usuários de uma tal de droga Valquíria, entra para o departamento de narcóticos da polícia e passa a tentar fazer justiça com as próprias mãos. Ou seja, para vingar duas mortes, outras 3674783 acontecem. Max Payne é praticamente tiro e porrada o tempo inteiro. Para compensar as atuações ruins, há a presença de rostinhos e corpinhos bonitos, como os de Olga Kurylenko e Mila Kunis. Mas nada adianta. Nem a presença de Ludacris, como o policial Jim Bravura, torna o filme um pouco mais divertido.

26/10/2009

A revolução sem lados

Jovens, bonitos e revolucionários. Assim O Grupo Baader Meinhof coloca na tela os membros da organização de extrema-esquerda criada por filhos do pós-guerra na Alemanha da década de 60. Dispostos a fazer um mundo mais justo para todos, os membros do grupo costumavam, com razão, comparar o imperialismo norte-americano ao fascismo dos tempos de Segunda Guerra. Não queriam aquilo novamente. E para combater isso colocavam a mão na massa.

Dirigido por Uli Edel (Eu, Christiane F.), o filme consegue sucesso na tentativa de não tomar lados. Não é panfletário e muito menos condena os atos da RAF (Rote Armee Fraktion – transformado em Grupo Baader Meinhof pela imprensa de direita, que colocou os sobrenomes dos principais líderes na história: Andreas Baader e Ulrike Meinhof). Ao mesmo tempo em que mostra Andreas Baader como um baderneiro – sem trocadilho – (ouvir The Who e dirigir em alta velocidade é ser revolucionário? Questionável), o mostra como um sujeito extremamente político e fiel aos seus ideais. Edel não martiriza ninguém. E talvez aí esteja o principal problema do filme. O diretor se preocupou demais em colocar TODOS os eventos realizados pela RAF e mesmo com as duas horas e meia de filme não nos aprofundamos em nenhum dos personagens. A história é extremamente detalhista – quase um documentário – e por conta disso se perde um pouco no final, quando novas gerações do grupo Baader Meinhof surgem, enquanto os membros fundadores estão na prisão.

Mas isso não compromete o filme. As atuações dos personagens principais são brilhantes. Moritz Bleibtreu, como Baader, Martina Gedeck, como Meinhof, e Johana Wokaleck, como Gudrun Eneslin – namorada de Baader – se entregam aos papéis. O lendário Bruno Ganz, fazendo o promotor de justiça Horst Herold, também é memorável. Tecnicamente, é um filme de ação perfeito. Os efeitos especiais dão conta das explosões e deixam claro que este é o filme alemão mais caro da história. Não há cenas de violência desnecessárias. O clima tenso e sombrio também é feito de maneira a prender o espectador e a tornar aquela história realmente interessante.