Stella – do filme de mesmo nome – é uma garota de 11 anos, que vive em cima do bar dos pais. Na nova escola – de burgueses -, para onde foi transferida, ela não vai bem e tampouco faz amigos. Não sabe a gramática francesa, nem fazer contas de matemática, mas sabe quais são os melhores jogadores de futebol, como se faz sexo, de onde vem os bebês, e jogar cartas melhor do que qualquer um de sua turma. Stella pode parecer uma vítima do retrógrado sistema de educação francês, mas ela não é uma vítima. Nem precisa de salvação. Sabe se defender sozinha. Cospe na cara de um idiota que tenta roubar a sua bola e enfia a cabeça de uma patricinha em uma quina. A garota vive uma verdadeira vida de Bukowski – um dos melhores escritores americanos do século XX – na França.Sem dúvida, um dos melhores filmes já feitos do ponto de vista de uma criança. Inocente, como a maioria, mas vivida, como poucas. Léora Barbara, a garota que faz Stella, é incrível. Sua interpretação tem graça. Às vezes é tímida e calada, mas consegue ser forte e doce ao mesmo tempo. A menina narra com naturalidade as suas viagens de verão para a cidade da avó, onde há apenas “um hospital psiquiátrico, um hospício e uma prisão” e alguns dos moradores “já fizeram o circuito completo”. A passagem da infância para a adolescência é mostrada de forma muito bela.
Guillaume Depardieu, o falecido filho de Gerard Depardieu, brilha como o líder de uma gangue e um dos freqüentadores do bar da família, por quem Stella vive um amor platônico. Os pais da menina (Karole Rocher e Benjamin Biolay) também são sensacionais. Bonitões e populares na vizinhança, estão mais preocupados se a filha consegue sair bem das brigas do que com as suas notas. A diretora Sylvie Verheyde consegue colocar tudo isso na tela com um realismo impressionante. Um dos melhores filmes franceses dos últimos tempos.










