08/03/2010

Impressões do Oscar 2010

Dos meus 19 palpites, acertei 11. Se considerarmos as minhas segundas opções, no “quem pode ganhar” o número sobe para 17. E eu, que sou um péssimo palpiteiro, teria errado apenas duas vitórias. Isso significa que o Oscar, como sempre, foi bastante previsível. Sem tevê a cabo em casa, tive que apelar para a casa do bon vivant, que me recepcionou com uma bela porção de pão de queijo. Delícia. Uma breve análise dos vencedores:

Melhor Filme: Guerra ao Terror – Apesar de não achar que este chegue perto de ser o melhor filme do ano, Guerra ao Terror é um longa de qualidade. A sua mensagem, passada desde o letreiro inicial, de que a guerra é uma droga viciante é mostrada com precisão. O protagonista é um sujeito que adora ver a morte de perto e as missões parecem lhe dar prazer. Como filme de guerra não chega perto dos clássicos Apocalypse Now, de Coppola, ou Nascido para Matar, de Kubrick, mas está bem dentro do que se propõe a fazer.

Acredito que a categoria Melhor Filme esta a cada ano mais desprestigiada. Alguém lembra o vencedor do ano passado? Difícil. Por essas e outras acredito que a vitória de Guerra ao Terror não significa muita coisa.

Melhor Diretor: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) – A única coisa boa sobre a grande vitória de Guerra ao Terror foi o fato de Kathryn Bigelow ter levado o prêmio de Melhor Direção. Primeira mulher na história a conseguir tal proeza – é apenas a segunda americana a ser indicada, depois de Sofia Coppola -, Bigelow fez história. E pavimenta o caminho para – finalmente – brigas de igual para igual entre homens e mulheres.

Melhor Ator: Jeff Bridges (Coração Louco) – Uma vitória merecidíssima de Jeff Bridges, que estava bem à frente dos seus concorrentes (Colin Firth, Morgan Freeman, George Clooney e Jeremy Renner). Bridges é a grande alma de um dos melhores filmes do ano – apesar de a maioria não ter gostado do filme em si.

Melhor Atriz: Sandra Bullock (Um Sonho Possível) – Não tenho nada contra Sandra Bullock, mas acho que ela foi premiada pelo papel errado. Sua participação em Um Sonho Possível não é assim tão memorável. Arrisco dizer até que o seu papel em A Proposta (comédia pastelão com Ryan Reynolds) é mais marcante.

Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) Bastardos Inglórios levou o único prêmio que mereceu. Christoph Waltz é brilhante e merecia mais papéis de destaque.

Melhor Atriz Coadjuvante: Mo´Nique (Preciosa) – Também bastante previsível – acho que ninguém duvidava que Mo´Nique ganharia. O tipo de papel que o Oscar adora, indo para alguém que o fez muito bem.

Melhor Roteiro Adaptado: Preciosa – Uma das pequenas surpresas da noite. Deixou Amor Sem Escalas a ver navios. O filme de George Clooney tinha um roteiro bem melhor, mas infelizmente nem tudo é perfeito...

Melhor Roteiro Original: Guerra ao Terror – Ainda não me conformei como 500 Dias com Ela ficou de fora DA DISPUTA (!!). Up e O Mensageiro tinham os melhores roteiros entre os indicados, mas o filme de Kathryn Bigelow foi mesmo o queridinho da Academia este ano.

Melhor Animação: Up – Altas Aventuras Coraline era ótimo. E os outros também eram muito bons. Mas Up é Up. Uma das animações, ou melhor, um dos filmes mais bonitos de todos os tempos.

Melhor Filme Estrangeiro: O Segredo dos Seus Olhos – Provavelmente a surpresa da noite que mais me agradou. O filme argentino deixou o alemão A Fita Branca para trás, mostrando que o cinema latino-americano continua fazendo obras de qualidade. O ótimo peruano A Teta Assustada, também no páreo, é a prova disso. A beleza - e as mazelas, como a pobreza peruana e a sangrenta ditadura argentina - da América do Sul, de formas diferentes, emocionando e encantando a Academia.

Melhor Fotografia: Avatar – Apesar de achar que A Fita Branca merecia muito mais, não acreditei que o resultado seria diferente. Avatar – e a sua fotografia, também muito bonita – precisava ganhar alguns prêmios.

Melhor Direção de Arte: Avatar – Mais um prêmio para Avatar. Mas este foi merecido.

Melhor Montagem: Guerra ao Terror – Acho que todos os outros indicados foram injustiçados nessa categoria. Avatar, Bastardos Inglórios, Preciosa e Distrito 9 tinham montagens melhores que a de Guerra ao Terror. Premiaram o mais premiado só por premiar.

Melhor Figurino: The Young Victoria – Aqui apostei em Nine e Coco Depois de Chanel, ou seja, errei grandão. Não assisti ao The Young Victoria, mas se eles dizem que é bom, então tá (ou não).

Melhor Trilha Sonora Original: Up – Altas Aventuras – Sem dúvida a melhor Trilha Sonora do ano. Impossível não se emocionar com as aventuras de Carl e Ellie enquanto toca essa bela trilha. Um dos prêmios mais merecidos da noite.

Melhor Canção Original: “The Weary Kind” (Coração Louco) – A canção de T-Bone Burnett e Ryan Bingham foi mesmo a merecedora do prêmio. “Take it All”, de Nine, também era boa, mas não tanto.

Melhor Edição de Som: Guerra ao Terror – Já que Guerra ao Terror ganharia Melhor Filme, por que não dar Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som também?

Melhor Mixagem de Som: Guerra ao Terror – Vide acima.

Melhores Efeitos Especiais: Avatar – Mais um prêmio – óbvio – para Avatar, que saiu do Kodak Theater apenas com troféus de categorias técnicas.

04/03/2010

O que esperar do Oscar 2010

E o Oscar está chegando. Talvez você já estivesse esperando pelo post anual do Acento Negativo com as minhas apostas para a grande noite do cinema. A espera acabou. Este ano, como em todos os outros, divido com vocês a minha opinião sobre quem vai ganhar, quem pode ganhar, quem deveria ganhar e os injustiçados que ficaram de fora da premiação. Desta vez também palpito sobre as categorias técnicas, como fotografia, efeitos especiais etc. Divirtam-se e sintam-se livres para discordar e compartilhar os seus palpites.

Melhor Filme

Quem vai ganhar: Avatar (foto). Apesar de todos estarem mudando as suas apostas para Guerra ao Terror, ainda acredito que Avatar será o grande vencedor da noite. O filme deu novo fôlego para as bilheterias de cinema, o que é sempre agradável em Hollywood, e – de fato – inovou.

Quem pode ganhar: Guerra ao Terror . Caso Avatar não ganhe, o prêmio irá para Guerra ao Terror, o que será uma grande injustiça. Bastardos Inglórios corre por fora, mas sem muitas chances.

Quem deveria ganhar: Avatar. Acho que a disputa está tão fraca este ano que acredito que Avatar – nem perto de ser o meu filme favorito do ano - merece o prêmio. Up e Amor Sem Escalas também são belíssimos, mas sem muitas chances.

Quem ficou de fora: 500 Dias com Ela, Lunar (Moon) e Onde Vivem Os Monstros. Não dar NENHUMA indicação para estes três filmes é um crime. 500 Dias com Ela é um dos mais belos filmes sobre amor do cinema, Lunar é uma grande novidade e renovação no gênero da ficção-científica e Onde Vivem Os Monstros traz uma das mais belas canções já feitas para um filme, “All Is Love”, da Karen O.

Melhor Diretor

Quem vai ganhar: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) (foto). Uma das poucas mulheres indicadas nesta categoria e a primeira com reais chances de vitória. A direção de Guerra ao Terror é boa, mas trabalhos melhores como Avatar, de James Cameron, ou Amor sem Escalas, de Jason Reitman, mereciam mais sair como favoritos.

Quem pode ganhar: James Cameron (Avatar). A vitória de James Cameron não é totalmente descartada. Mas como a sua ex-mulher está ganhando todos os prêmios, acredito que é mais provável Kathryn Bigelow sair de lá com o bonequinho dourado.

Quem deveria ganhar: James Cameron (Avatar). James Cameron fez um divisor de águas no cinema e só por isso já deveria levar o Oscar. Sua direção é exagerada? Sim. Mas quem se importa. O cara fez Avatar. Só isso já basta.

Quem ficou de fora: James Gray (Amantes). James Gray é um diretor brilhante. Tirou de Joaquin Phoenix e de Gwyneth Paltrow as melhores atuações de suas carreiras. As sutilezas em todas as cenas de Amantes são incríveis. Seus enquadramentos e jogos de luzes marcam cada cena de um dos filmes mais bonitos do ano.

Melhor Ator

Quem vai ganhar: Jeff Bridges (Coração Louco) (foto). Pode ser que não ganhe. No ano passado, todos apostavam em Mickey Rourke e Sean Penn acabou levando. Mas tudo indica que Bridges é o favorito. Um papel como esse aparece uma vez na vida e Bridges é ator bem mais sério do que Rourke.

Quem pode ganhar: Morgan Freeman (Invictus). Se o prêmio não for para Jeff Bridges, deve ir para Freeman e a sua interpretação definitiva de Nelson Mandela. Invictus não chega nem perto de ser um dos melhores de Clint Eastwood, mas o que o diretor consegue tirar do seu amigo de longa data é impressionante. Morgan Freeman é Nelson Mandela.

Quem deveria ganhar: Jeff Bridges (Coração Louco). O Bad Blake de Jeff Bridges é um dos personagens mais memoráveis do cinema neste ano. Figura atormentada, doce e triste. Este filme aparece como uma surpresa principalmente pela bela atuação de Bridges, vigorosa e cheia de carisma.

Quem ficou de fora: Sam Rockwell (Lunar) – Joseph Gordon-Levitt, em 500 Dias Com Ela, e Joaquin Phoenix, em Amantes, também estavam ótimos, mas o que Sam Rockwell faz em Lunar é algo inédito e brilhante. Uma das melhores interpretações da história e nem sequer foi indicada.

Melhor Atriz

Quem vai ganhar: Sandra Bullock (Um Sonho Possível) (foto). Apesar de muitos não acreditaram que ela vencerá só por que ela é a Sandra Bullock, eu ainda aposto nela. Mesmo tendo feito um papel muito mais legal este ano e que também merecia indicação (A Proposta).

Quem pode ganhar: Meryl Streep (Julie e Julia). Apesar dos exageros de interpretação neste papel, Meryl Streep é sempre forte concorrente – mesmo quando já tem alguns Oscars em casa e já é a sua centésima indicação. Amy Ryan (a Julia do filme) merecia muito mais esta vaga.

Quem deveria ganhar: Gabourney Sidibe (Preciosa). Não vi Helen Mirren, em The Last Station, portanto me baseio nas quatro outras indicadas para dizer que a minha favorita é Gabourney Sidibe, de Preciosa. A garota gorda, negra e humilhada tem vida na pela de Gabourney.

Quem ficou de fora: Marion Cotillard (Nine). A única graça de Nine é a atriz francesa, que nunca esteve tão bonita. Neste filme, ela é a frágil esposa de um diretor de cinema dividido entre suas muitas mulheres. Merecia muito mais a indicação do que Penelope Cruz.

Melhor Ator Coadjuvante

Quem vai ganhar: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) (foto). A vitória de Christoph Waltz é praticamente certa. A atuação do ator é tão surpreendente que consegue superar a (ótima) de Woody Harrelson, em O Mensageiro, o que não é pouco.

Quem pode ganhar: Christopher Plummer (The Last Station). Christoph Waltz só não vai ganhar se a academia decidir fazer justiça com o velhinho Christopher Plummer (80 anos, 50 de carreira), que nunca ao menos foi indicado ao prêmio. Interpretando o escritor russo Leon Tolstoi em The Last Station, talvez tenha alguma chance. Mas acho difícil.

Quem deveria ganhar: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios). Se Bastardos Inglórios merece algum prêmio, é nesta categoria. O austríaco Christoph Waltz faz um dos vilões mais carismáticos da história, dando graça ao seu oficial nazista, Hans Landa. Waltz salva um filme fraquíssimo do tédio completo.

Quem ficou de fora: Zach Galifianakis (Se Beber, Não Case). Este filme – vencedor do Globo de Ouro de Melhor Comédia, deixando para trás Nine e 500 Dias com Ela – também foi inexplicavelmente esnobado pelo Oscar. E se alguém nele merecia um prêmio é o ator Zach Galifianakis, o mais doido entre os patetas que passam “uma noite muito louca” em Lãs Vegas. Galifianakis é comediante de talento e merece fazer muito mais filmes.

Melhor Atriz Coadjuvante

Quem vai ganhar: Mo´Nique (Preciosa) (foto). As categorias de Ator e Atriz Coadjuvantes deste ano são as mais previsíveis. Christoph Waltz e Mo´Nique ganharam praticamente todos os prêmios a que concorreram e não acho que é o Oscar que vai mudar esta história.

Quem pode ganhar: Penelope Cruz (Nine). Acredito que a única concorrente de peso de Mo´Nique seja Penelope Cruz, que mesmo assim praticamente não tem chances, uma vez que já levou este mesmo prêmio no ano passado (por Vicky Cristina Barcelona).

Quem deveria ganhar: Mo´Nique (Preciosa). O seu prêmio será merecido. Junto com Gabourney Sidibe formou a melhor dupla de atuação deste ano. Todos vez que Mo´Nique, como a mãe da menina, aparece, o filme – que nem é tão dramático assim – vira um drama pesado (a última cena em que ela aparece comprova isso).

Quem ficou de fora: Samantha Morton (O Mensageiro). Samantha Morton consegue roubar a cena todas as vezes que aparece em O Mensageiro. A atriz, que faz a machucada viúva de um soldado americano na guerra do Iraque, já foi indicada duas vezes ao Oscar e esta poderia muito bem ser a terceira.

Melhor Roteiro Adaptado

Quem vai ganhar: Amor sem Escalas (foto) (Jason Reitman, Sheldon Turner). As apostas dizem que este seja o único prêmio importante que Amor sem Escalas leve. Eu não duvido. O filme está longe de ser favorito em qualquer outra categoria na qual concorre. Essa é de fato a sua única chance.

Quem pode ganhar: Preciosa (Geoffrey Fletcher). Este filme tem bastante drama, algo que a Academia sempre adora. Não é um concorrente tão forte, como Amor sem Escalas, mas tem as suas chances.

Quem deveria ganhar: Amor sem Escalas (Jason Reitman, Sheldon Turner). Talvez a maior da razão do sucesso deste filme é o seu roteiro (sem desmerecer a ótima direção de Jason Reitman e as atuações, especialmente da indicada a coadjuvante Vera Farmiga). Mas um roteiro praticamente impecável garante a maior chance de prêmio para Amor sem Escalas.

Quem ficou de fora: Onde Vivem os Monstros (Dave Eggers). Um dos melhores trabalhos de adaptação dos últimos tempos foi – para variar – esnobado pelo Oscar. Dave Eggers conseguiu criar um dos melhores roteiros do ano, baseado em uma história com dez frases em formato de haicai. Um feito e tanto.

Melhor Roteiro Original

Quem vai ganhar: Guerra ao Terror (Mark Boal). Grande favorito na categoria de Melhor Direção e – quem sabe até – Melhor Filme, pode ser que o roteiro de Mark Boal também seja premiado. O que não seria nenhuma surpresa.

Quem pode ganhar: Bastardos Inglórios (foto) (Quentin Tarantino). Como dificilmente a Academia irá premiar Quentin Tarantino na categoria de Melhor Diretor, pode resolver premiá-lo aqui, o que seria uma bela injustiça, uma vez que o roteiro é bobo e fraquíssimo.

Quem deveria ganhar: Up – Altas Aventuras (Pete Docter, Bob Peterson). O roteiro dos irmãos Coen, em Um Homem Sério, e de Alessandro Camon e Oren Moverman, de O Mensageiro, também são geniais. Mas Up é aquele que consegue tirar lágrimas. Uma história belíssima de amor que atinge crianças e adultos.

Quem ficou de fora: 500 Dias com Ela (Scott Neustadter, Michael H. Weber). O grande injustiçado do Oscar – para mim – foi este filme. Não indicá-lo nem nesta categoria foi um absurdo. Um dos roteiros mais originais e criativos dos últimos anos foi passado para trás inexplicavelmente. Uma pena.

Melhor Animação

Quem vai ganhar: Up – Altas Aventuras (foto). A única animação indicada também na categoria Melhor Filme desde A Bela e a Fera (que até então tinha sido a única animação indicada na categoria). Up só mostra a supremacia da Pixar e que os seus geniais animadores não perderam a mão.

Quem pode ganhar: Up – Altas Aventuras. É... Nenhum outro filme tem chance contra Up.

Quem deveria ganhar: Up – Altas Aventuras. Quase escolhi Coraline para o “quem deveria ganhar”, mas Up foi realmente a grande animação do ano. Os outros três indicados também são recomendadíssimos – o que mostra a qualidade das animações feitas atualmente -, mas é o filme da Pixar que merece o prêmio.

Melhor Filme Estrangeiro

Quem vai ganhar: A Fita Branca (foto).

Quem pode ganhar: O Segredo dos Seus Olhos.

Quem deveria ganhar: O Segredo dos Seus Olhos.


Melhor Direção de Arte

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Nine.

Quem deveria ganhar: Avatar.


Melhor Fotografia

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Guerra ao Terror.

Quem deveria ganhar: A Fita Branca.


Melhor Montagem

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Guerra ao Terror.

Quem deveria ganhar: Distrito 9.


Melhor Figurino

Quem vai ganhar: Nine.

Quem pode ganhar: Coco Depois de Chanel.

Quem deveria ganhar: O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus.


Melhor Trilha Sonora Original

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Guerra ao Terror.

Quem deveria ganhar: Up – Altas Aventuras.


Melhor Canção Original

Quem vai ganhar: “The Weary Kind” (Coração Louco).

Quem pode ganhar: “Take It All” (Nine).

Quem deveria ganhar: “The Weary Kind” (Coração Louco).


Melhor Edição de Som

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Guerra ao Terror.

Quem deveria ganhar: Avatar.


Melhor Mixagem de Som

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Guerra ao Terror.

Quem deveria ganhar: Avatar.


Melhores Efeitos Especiais

Quem vai ganhar: Avatar.

Quem pode ganhar: Star Trek.

Quem deveria ganhar: Avatar.


02/03/2010

Canções que vêm da vida, infelizmente

As cenas iniciais de Coração Louco mostram um cantor country/folk americano prestes a fazer um show em uma pista de boliche em um lugar qualquer da América. Com aparência decadente, ele se prepara para tocar para uma dúzia de pessoas bebendo cerveja. Bad Blake, o cantor, já viveu os seus dias de glória e agora precisa penar – com a ajuda de um produtor com quem está sempre no telefone – para conseguir shows decentes e uns trocados. Este cenário pode lembrar um filme recente, com temática mais ou menos parecida: O Lutador, com Mickey Rourke. Mas aqui o protagonista é um músico alcoólatra e não um ex-campeão de luta livre.

Essas semelhanças vêm à cabeça, pois ambos os filmes mostram aqueles Estados Unidos de desilusões. De esperanças perdidas com amores que se vão, da fuga nas garrafas de whisky e cerveja ou nas pílulas. Em ambos os casos, um ator dando tudo de si como protagonista também ajudou bastante. Aqui, Jeff Bridges (O Grande Lebowski) é Bad Blake, homem desiludido de 57 anos, que já foi casado cinco vezes e não tem mais grandes planos na vida. Compõe pouco e as maiores oportunidades de ganhar uma grana são abrindo shows de Tommy Sweet (Colin Farrell), seu discípulo na música, que hoje é um grande astro.

Mas o coração louco se apaixona outra vez. Dessa vez por uma jornalista bem mais nova, que vai à sua casa para fazer uma matéria. Essa jornalista é Jean Craddock, interpretada com vigor por Maggie Gyllenhaal (Mais Estranho Que a Ficção, Batman – O Cavaleiro das Trevas), mulher que também já sofreu por amores e tem um filho de quatro anos para cuidar. Ela o inspira, mas para Bad Blake a vida nem sempre é fácil. Juntos, os dois entregam os melhores momentos do filme.

Coração Louco é o filme de estréia do diretor Scott Cooper, que se sai muito bem para alguém que está pela primeira vez atrás das câmeras. Baseado no romance de Thomas Cobb, Cooper assina também o roteiro. Para quem é fã do folk norte-americano, como este blogueiro, o filme é um prato cheio, repleto de belíssimas canções, como “The Weary Kind”, concorrente ao Oscar. Em determinado momento, Jean pergunta para Blake de onde vêm as canções e ele responde: “da vida, infelizmente”. Certeiro na afirmação.

01/03/2010

Indicados ao Oscar 2010

Como vocês já sabem (ou não), neste domingo acontece a entrega do Oscar. Antes de sexta-feira vai rolar uma postzinho especial aqui no blog, portanto fiquem ligados. Aqui estão os indicados nas principais categorias – e os que já foram comentados seguem com os respectivos links.

Melhor Filme

Preciosa - Uma História de Esperança

Um Homem Sério

Up - Altas Aventuras

Amor Sem Escalas


Melhor Diretor

James Cameron - Avatar

Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror

Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios

Lee Daniels - Preciosa - Uma História de Esperança

Jason Reitman - Amor Sem Escalas


Melhor Ator

Jeff Bridges - Coração Louco

George Clooney - Amor Sem Escalas

Colin Firth - Direito de Amar

Morgan Freeman - Invictus

Jeremy Renner - Guerra ao Terror


Ator Coadjuvante

Matt Damon - Invictus

Woody Harrelson - O Mensageiro

Christopher Plummer - The Last Station

Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso

Christoph Waltz - Bastardos Inglórios


Melhor Atriz

Sandra Bullock - Um Sonho Possível

Helen Mirren - The Last Station

Carey Mulligan - Educação

Gabourey Sidibe - Preciosa - Uma História de Esperança

Meryl Streep - Julie e Julia


Melhor Atriz Coadjuvante

Penelope Cruz - Nine

Vera Farmiga - Amor Sem Escalas

Maggie Gyllenhaal - Coração Louco

Anna Kendrick - Amor Sem Escalas

Mo'Nique - Preciosa - Uma História de Esperança


Melhor Roteiro Adaptado

Distrito 9

Educação

In The Loop

Preciosa - Uma História de Esperança

Amor Sem Escalas


Melhor Roteiro Original

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

O Mensageiro

Um Homem Sério

Up - Altas Aventuras

Melhor Animação Longa-Metragem

Coraline

O Fantástico Sr. Raposo

A Princesa e o Sapo

O Segredo de Kells

Up - Altas Aventuras


Melhor Filme Estrangeiro

Ajami

O Segredo dos Seus Olhos

A Teta Assustada

O Profeta

A Fita Branca


Melhor Direção de Arte

Avatar

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus

Nine

Sherlock Holmes

The Young Victoria


Melhor Fotografia

Avatar

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

A Fita Branca


Melhor Figurino

Brilho de Uma Paixão

Coco Antes de Chanel

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus

Nine

The Young Victoria


Melhor Montagem

Avatar

Distrito 9

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Preciosa - Uma História de Esperança


Melhor Trilha Sonora Original

Avatar

O Fantástico Sr. Raposo

Guerra ao Terror

Sherlock Holmes

Up - Altas Aventuras


Melhor Canção Original

"Almost There" - A Princesa e o Sapo

"Down in New Orleans" - A Princesa e o Sapo

"Loin De Paname" - Paris 36

"Take it All" - Nine

"The Weary Kind" - Coração Louco


Melhor Edição de Som

Avatar

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Star Trek

Up - Altas Aventuras


Melhor Mixagem de Som

Avatar

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Star Trek

Transformers: A Vingança dos Derrotados


Melhores Efeitos Especiais

Avatar

Distrito 9

Star Trek


Melhor Maquiagem

Il Divo

Star Trek

The Young Victoria


26/02/2010

Animação traz bela arte inspirada na Idade Média

O que move o incrível O Segredo de Kells é a sua animação super colorida, geométrica, bastante diferente das animações em 3D que aparecem toda hora, inspirada no próprio Livro de Kells, um dos mais importante documentos da arte na Idade Média. O livro, feito por monges celtas, levou mais de 200 anos para ser finalizado e a sua beleza impressiona bastante. Este filme, de maneira infantil, mas não idiota, tenta recriar parte da história desse manuscrito.

O garoto Brendan é o encarregado de criar a página mais bonita do livro e para isso precisa de um cristal, que se encontra na floresta que fica do lado de fora do seu povoado – cercado por muros enormes para protegerem-se dos vikings, ou da “ameaça do norte”. A sua busca resulta em efeitos de animação maravilhosos, como a sua amiga, Aisling, um ser mágico da floresta, ou na sua luta contra a criatura que protege o cristal.

A história, que acaba ficando um pouco rasa, por conta de sua curta duração e da preocupação em agradar às crianças, é compensada com a bela arte dos desenhistas. Para um filme infantil, O Segredo de Kells é cheio de fatos históricos – com uma boa dose de fantasia - e profundo na mensagem que tenta passar.

25/02/2010

A guerra como uma boa piada

Tudo em In the Loop é motivo de risada. Apesar de tratar de um tema sério – a tensão entre agências do governo estadunidense e britânico e seu trabalhos secretos -, o filme é piada pura.

Peter Capaldi faz um primeiro-ministro inglês que não perde uma oportunidade de xingar os colegas de trabalho ou qualquer um que cruzar o seu caminho. O sujeito não é simpático com ninguém. Provavelmente, entre todos os personagens, é o mais caricato. Impossível acreditar que uma pessoa assim esteja em um cargo público. Seus capachos são Simon Foster (Tom Hollander), Ministro do Desenvolvimento, e Toby (Chris Addison), seu assessor. Os dois passam por situações vergonhosas do começo ao fim do filme. A pedra no sapato deles é o comitê antiguerra americano, representado pelo general Miller (James Gandolfini) e pela secretária de Diplomacia (Mimi Kennedy). Anna Chlusmky faz uma sedutora braço direito da secretária, responsável por ter feito um documento que pode mudar o rumo de tudo.

Steve Coogan também faz uma pequena – e hilária – participação como um cidadão inglês revoltado com a situação de um muro em sua casa, o que acaba trazendo mais dores de cabeça para Simon. Algumas cenas e situações são surreais, como quando o general faz as contas do custo da guerra em uma espécie de notebook infantil que faz barulhos de bichinhos. Ou quando o assessor Toby afirma que fez sexo com a garota para parar a guerra.

O diretor e humorista Armando Iannucci conseguiu fazer um filme bastante comparado com Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick. É claro que não chega a tanto, mas dá para entender o por que da referência. O roteiro de Jesse Armstrong e Simon Blackwell é tão recheado de diálogos inteligentes e boas sacadas, que às vezes fica difícil de acompanhar a história mesmo. O primeiro-ministro é cheio das tiradas “cultura pop”: chama um empregado e uma empregada de White Stripes e quando um terceiro decide segui-los, diz: “há apenas dois no White Stripes”. Fino humor britânico.

24/02/2010

Audrey Tautou salva da monotonia completa

Uma grande interpretação de Audrey Tautou garante o sucesso de Coco Antes de Chanel. A atriz francesa, que já foi Amélie Poulain e descendente direta de Jesus Cristo em O Código da Vinci, agora faz um dos melhores trabalhos de sua carreira e salva o filme sobre a famosa estilista de ser uma completa chatice.

Coco Antes de Chanel muitas vezes beira o tédio. A caracterização da época e os figurinos impressionam. Coco sempre se destaca no meio das roupas extravagantes. Seu estilo “menininho”, sempre optando pela simplicidade, se sobressai em cenas como a do baile, onde o seu amante a leva para dançar. Mas só isso não basta.

O filme parece não andar. A história se concentra na Coco antes de se transformar na dona do império Chanel, como sugere o título do longa. Sua infância sem a mãe, com um pai que a abandonou aos nove anos e a época em que ganhava a vida cantando em bordéis, mas já mostrava aptidão para a costura, desenhando suas próprias roupas, levam a primeira metade do filme.

Alguns romances aparecem, mas já sabemos como tudo vai acabar. Coco Antes de Chanel dá voltas e voltas sem chegar a lugar nenhum. Uma história interessante, mas mal aproveitada. Uma pena, pois oportunidades de ótimas atrizes, como Audrey Tautou, interpretarem Coco Chanel são raras.

22/02/2010

O verdadeiro eixo do mal

O que interessa ao diretor Michael Haneke é ir atrás das origens do mal. E do inexplicável, como faz em Violência Gratuita, filme no qual dois garotos aterrorizam uma família de férias em uma casa de veraneio. Sem motivo aparente, divertem-se torturando psicológica e fisicamente o pai, a mãe e o filho. Em A Fita Branca, o estilo é o mesmo, mas o tom é outro. Aqui, Haneke é sério, elegante, não conta com dois protagonistas sádicos que se referem um ao outro como Beavis e Butt-Head. Provavelmente por isso agradou tanto a comissão julgadora que deu a Palma de Ouro em Cannes para o filme e também a que colocou o longa entre os cinco na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Parte da responsabilidade por esse estilo elegante de A Fita Branca é do fotógrafo Christian Berger, que usa uma luz sinistra, dando às vezes um clima de suspense ao filme, e às vezes fazendo algo que lembra Ingmar Bergman. O preto e branco – o filme foi originalmente filmado em cores, depois retiradas - ajuda a criar a melancolia dos dias que antecedem a Primeira Guerra Mundial em uma pequena comunidade da Alemanha.

Vilarejo de homens rígidos, o lugar é uma sociedade patriarcal onde as mulheres obedecem às regras e as crianças apenas observam. Por causa de pequenas travessuras, as crianças são punidas severamente. Enquanto isso, o médico humilha a parteira, sua parceira sexual. De maneira muito sutil e única – ou tudo que Lars Von Trier tentou com Dogville e não conseguiu –, Haneke explora as raízes do mal que mais tarde levariam ao fascismo. Acontecimentos estranhos acontecem no vilarejo: o médico da comunidade cai do cavalo por causa de um arame esticado entre duas árvores, uma mulher morre em um acidente misterioso na serraria, um incêndio acontece no estábulo, entre outros. Quem narra isso para o espectador é o professor local, anos depois dos acontecimentos – que, segundo ele, nem todos podem ser verdadeiros.

O roteiro é intrincado, mas mesmo com os personagens principais sendo referidos apenas pela sua função no vilarejo, como “o médico”, “o professor”, “a parteira”, “o barão” ou “o pastor”, não é difícil acompanhar a história – afinal, aqui o importante não é descobrir quem ou o que está cometendo os crimes. O importante é o desenrolar, as ações de cada um e as atitudes que levam ao horror. As crianças, acusadas, talvez injustamente, em certo momento, têm nomes e participação decisiva na história. Todas as atuações são brilhantes, fruto de um trabalho de sete meses de Haneke com o elenco infantil.

A fita branca do título do filme é amarrada pelo pastor no braço do seu filho e filha mais velhos como forma de expô-los a humilhação e lembrá-los da pureza – pela cor representada na fita. Essa rotina de punições e abusos é o que faz as crianças, vistas como o futuro da nação, acreditarem cegamente nos ideais de seus pais. E aí que mora o verdadeiro eixo do mal.

19/02/2010

A solidão, a força e a coragem

Quando um filme baseado no livro infantil – belíssimo, por sinal – Onde Vivem Os Monstros foi anunciado, a pergunta era: como vão transformar mais ou menos 20 páginas e 10 frases - em formato de haicai - em um longa de uma hora e meia? Nada como umas invençõeszinhas do diretor Spike Jonze para colocar o texto e as ilustrações mágicas criadas pelo autor Maurice Sendak em 1963 na tela. O roteiro, de Dave Eggers, consegue captar a essência do livro de Sendak, mesmo inventando coisas como uma família moderna para o garoto, que no livro tinha apenas uma mãe sem rosto, responsável pelo seu jantar... ainda quentinho.

Max, interpretado pelo angelical Max Records, é um garoto sonhador, que adora fazer bagunça e veste-se com uma fantasia de lobo. Aos poucos vai descobrindo que a vida é dura e a solidão começa a sufocá-lo. Sua mãe, em vez de entrar na “nave espacial” montada por ele no quarto, com vassouras e lençóis, prefere ficar na sala com o namorado, enquanto a irmã mais velha e os amigos não dão muita bola para um iglu construído por ele. Indignado, o forte garoto desconta a sua raiva em objetos pela casa e depois desafia a própria mãe. Acaba fugindo para onde vivem os monstros e enfrenta as criaturas gigantes e peludas olhando nos seus olhos. Lá, é coroado rei, faz amigos de verdade e pode bagunçar à vontade. Porém, esse estranho menino não traz consigo a cura para a tristeza.

O trabalho de Records, de apenas 13 anos, é impressionante. O garoto é praticamente o único ator “real” durante 90% do filme. Quase todo o tempo está encenando apenas com bonecos gigantes que ganham vida e expressões fortes graças ao belo trabalho de Jonze – e da Jim Henson Company, responsável pelos Muppets. Nas outras cenas, Catherine Keener, como a mãe, e Mark Ruffalo (que se não me engano tem apenas uma fala), como o namorado, são meras participações especiais. James Gandolfino, Forest Whitaker, Chris Cooper, Paul Dano são algumas das vozes das “wild things”.

Onde Vivem Os Monstros é um trabalho corajoso de Jonze – talvez o mais corajoso de sua carreira, que inclui os filmes Quero Ser John Malkovich e Adaptação, pois lida com a difícil tarefa de colocar na tela a solidão das crianças, começando a encarar a realidade do mundo, como Os Incompreendidos, de François Truffaut. Um filme de criança para adultos. Com um tom de fábula, Max vê a sua personalidade refletida em cada um dos monstros, como, por exemplo, o “divórcio” dos monstros principais, Carol e KW, talvez um reflexo de seus pais separados, na história criada por Eggers. Pouco a pouco, Max vai descobrindo que essas criaturas são perigosas e começa a sentir falta do seu lar humano.

A trilha sonora, feita por Karen O, vocalista do Yeah Yeah Yeahs, também é uma beleza. Com uma pegada folk, bem diferente do trabalho usual do Yeah Yeah Yeahs, ela juntou um grupo de crianças para cantar e chamou o projeto de Karen O and the Kids. Sua voz é deliciosa e as canções só ajudam a acrescentar no filme, sem distrair a atenção para elas. Em uma obra visualmente tão bonita e plástica, saber que a música é algo que se encaixou perfeitamente em todo o conceito é refrescante. Onde Vivem Os Monstros é todo feito de acertos. Bastante simbólico, como toda fantasia deveria ser – e essa é uma das melhores delas.